Corpo

Por Lauro de Freitas

A senhora que me chama de marido disse outrora que não casou com um porco. Achei deselegante da parte dela e me contive, por mais que não tenha casado com uma equina.

Apenas saí do convívio e tornei a pensar o que, de fato, porto ao corpo. E não é pouco.

Lá na infância, quando corria atrás da bola, a divisão se dava em três: cabeça, tronco e membros. Soube logo: o que é nobre fica da cintura para cima e a censura dali para baixo. A possível razão para os marmanjos não devotarem atenção as pernas.

No mercado tem o que custe o olho da cara ou até um rim, pelas ruas as artérias encaminham o fluxo certo a seguir.

Ao Estado, a preferência tem sido lipofóbica, sem excessos, tenho cá minhas dúvidas.

Enquanto a forma, a cor e conservação definem, em absoluto, a espécie de ser vivo que se faz parte. Nesta lógica, sou um porco porque não tenho mais estômago para ser humano.

Imagem 1; imagem 2.

Um grunhido especial do Lalau.

Até mais ver!

Vocabulário tímido

Como reagir a uma pergunta qualquer?

Sei lá…

Não sei…

E quanda a vida entra em jogo?

— Como vai?

— Normal!

Como assim normal?

— Sem anormalidades.

Estive ausente por aqui e o vocabulário de respostas parte do princípio acima. Para melhor entender, é preciso retornor ao período jornalístico.

[…]

Enquanto a partida para tec tec era o que, quem, quando, como, onde e o porque, um título chamativo, três fontes para calçar as ideias pré-elaboradas… Ops. A frase inicial era a certeza da matéria pronta.

Por agora, o tempo só me faz pensar na frase de um professor daquela passagem.

Não se enfoquem nas cordas da liberdade...

Sem prazos, roteiros ou limites, não me enforquei, embora tenha feito um balanço com as cordas. E no vaivém a espera da inspiração, recostei.

Já de pé por motivações necessárias, tive notícias sobre o meu kid, (como tenho chamado meu rim), e voltei saltitante, com coragem de sobra para escrever qualquer coisa. E foi isso.

Imagem: meu sobrinho Shiro.


Paz, bem e muitos pulinhos no final de semana.