Chega de cochilos!

Sem perceber, capturei o momento em que acordei para o racismo. A partir da leitura do livro O ódio que você semeia da Angie Thomas (2017). O verbo acordar se refere a um momento de consciência inerte. Exatamente aonde estava.

Não nego as pequenas pistas reunidas com o passar do tempo, ainda é latente a lembrança de uma aula de Sociologia, quando tema apareceu de forma modesta e pontual.

[…]

O calor sombreia cabelos ultra finos e amplos, peles retintas e narizes prontos para respiros em altas temperaturas.

Enquanto o frio delinea cabelos lisos, narizes finos e cores alvas, pelo sol escasso, como forma de proteção as baixas temperaturas.

Nada mais do que a beleza da adaptação humana. Embora não bastasse para o despertar por completo

Foi aqui, através dessa leitura que parcebi a complexidade em torno do racismo. Pelas minúcias a cada instante, vindas de muito tempo.

Os cacos funcionam como o tabaco; socialmente aceito, corriqueiro e maligo. Uma analogia ordinária, assumo, mas a infeliz realidade faz condizer.

A batalha é constante, é preciso estar atento e forte ao passo de cada partida, a fazer o que nos couber.

Imagem.


Em busca da consciência,

até logo!

Resistir em silêncio

Cena do filme: O ódio que você semeia (2018). Imagem: reprodução Pinterest.

Um dia olhei numa pilha de livros e tinha uma capa diferente por lá. Passou uns dias e veio a lembrança de um dia ter visto o título em algum canto.

O ódio que você semeia (2017). Comecei a ler, gostei logo de cara. Acabou dias depois. E a sensação foi de quase um atropelo.

O hábito é bom porque agiliza a vida, mas pode abreviar mudanças necessárias. Aqui vai um conselho: Vigiai. Não é uma resenha mas vou contar um pouquinho da história.

A narrativa parte da vida dupla mantida pela protagonista, Starr. Uma jovem de 16 anos norte-americana.

Antes de continuar preciso pontuar o nome do bairro em que ela mora: Garden Heingts, que dá sentido a toda a obra. Angie Thomas, a autora, associa a um jardim no concreto. Um lugar de grandes potencias sob a opressão racial. Sim, Starr e sua comunidade é negra.

Logo na infância ela foi colocada em uma escola privada, com muito esforço dos pais, para amenizar a violência vivida no bairro.

6 anos de frequência na escola, a 40 min de casa, foi o tempo necessário para Starr desenvolver um outro código de conduta, diferente do praticado em casa.

Adeus gírias, olhares, tiradas e olá garota acessível mestre em em segurar a língua e engolir sapos. Tudo para não ser a garota daquele bairro. E o que há de errado nisso?

O problema não é se adaptar para ser entendido. Mas para não transparecer o que não é aceito: uma questão de sobrevivência.

Há alguns dias uma live incluindo Glória Maria virou assunto da vez. A razão? O que foi dito por Glória: “Eu acho tudo isso um saco. Hoje tudo é racismo, preconceito e assédio!”

A polêmica já foi dada. Quem é Glória Maria? Uma jornalista, que cresceu tanto na televisão brasileira que dá para escrever uma enciclopédia só com a trajetória dela.

Os diários de viagem que ela faz? Não tem pra ninguém. E foi assim que a mulher sem idade cresceu em um ambiente que muitos nem sonham.

Não deve ser nada difícil se acostumar com a vida da Glória. Seus planos para o pós-pandemia? Viajar para a Arábia Saudita, Dubai e Taiti.

Lembra da Starr? Ela também passava por situação semelhante. A Starr da escola privada era distante de Garden Heights. Ela só percebeu quando passou por uma tragédia na companhia do seu melhor amigo de infância, esquecido.

Os abaixo-assinados virtuais contra o racismo não eram mais suficientes, Starr precisou gritar.

O livro não traz nenhuma referência a um Estado específico dos Estados Unidos, onde passa a história. Sabe porquê? A autora diz: “Experiências negras são mais universais do que acreditamos ser”. Resultado? O livro ficou semanas como mais vendido na lista do New York Times e até na Alemanha conseguiram situar o ódio que trata Angie, direcionado aos refugiados.