A vida das coisas

Durante o alerta inicial de recolhimento, nos refugiamos num campo bem distante. Para acessar, era precisa deter o passe das autoridades locais. Uma aldeia indígena repleta de centenários, ou quase.

Após dois meses em exílio, o refúgio passou a estar nas redondezas da civilização, a 15 km da Princesa do Sertão.

Pelas mãos de mamãe, a terra voltou a enflorar, os passarinhos a arrevoar, a coruja a visitar as noites e até um galo, apelidado de marreco, decidiu morar por lá.

Entre idas e vindas de deveres pelas pistas de rally, em período chuvoso, a necessidade de retorno ao centro elevou ao dobro.

O regresso cheirava a abandono, o clima de lugar estranho. Bastou um pouco mais de empenho para o lugar urbano dar morada ao recanto.

E na house que um dia foi home, a formiga virou amo, o matagal soberano e até mesmo o marreco, ciscou e deu meia volta.


A imagem traz um pedacinho do segundo refúgio. Até logo!