Clube da revelação

Baseado na fotografia acima… A composição me leva a mais um rumo que irei aqui tomar. Talvez como forma de atribuir finalidade ao nome do blog: Revelara. E a motivação devo ao luminoso incentivo da Enfermeira Bruna, do ambulatório pós-transplante.

A última vez que a encontrei, em consulta, ela sugeriu que partilhasse as experiências do meu vai-e-vem rumo ao bem-estar.

Pois escutei, pensei e embrulhei o estímulo na gaveta: ‘quem sabe um dia’, justo pela insistência da resposta em pensamento: ‘nada posso acrescentar…’, enquanto isso o telefone sem fio de casa funcionava a todo vapor.

Veja só: comentei com minha mãe, ela contou para o meu pai que anunciou a Dra. Daniele, a oftalmologista que recuperou a nitidez dos meus olhos. E sabe o que aconteceu? Ele foi apenas ser examinado pela Dra., mas de brinde trouxe mais para o clube: ‘faça isso, Lara!’.

Devo agradecer ao passa-repassa? Enfim… Esse foi apenas um meio para ambientar as narrativas do adiante por aqui. Espero de coração que sirva como apoio a quem possa encontrar.


Imagem: fui até o pé de acerola no quintal criar um índice* para esta publicação, não é que funcionou!

*como uma espécie de pista para a revelação da minha memória. Uma vez que a impressão de retirada da rama “sobre” a tela pode ser vista como uma indicação.

Até logo;)

Cheiro da memória

Noses. Art by Pumpika. Imagem reprodução: Twitter.

Sobre a minha memória

Não linear, sem cronologia ou lembranças completas.

Simplesmente desponta através de um sorvo.

Copia a emoção do momento transpondo em sensação. Boa, ruim ou banal, ela existe e causa efeitos.

Entre idas a vindas na infância a um caminho que passava por uma escola católica, guardei a mais estranha lembrança.

O cheiro de freira.: perfume amadeirado, antigo, quase amargo.

Outras são mais doces como o perfume com aroma de melância que revive o café da manhã em família. Ou o cheiro de um sabonete que leva direto para o repouso das ferias de verão.

É como uma fotografia antiga, sem legenda, que só é lembrada quando não dá para esquecer.

Nem sempre é agradável…

Entre a coletânea há refrescos de uma passado que libertam momentos difíceis.

O diagnóstico era de falência renal, final de 2018. Nesta época usava um perfume herbal. Gostava muito; do tipo que não precisa exagerar para emanar longe.

Todos sentiam o perfume que representava, até então, notas de maturidade.: pó de arroz, seda e bobs nos cabelos.

Hoje, já em paz com a saúde, não consigo mais usá-lo, nem sequer sentí-lo. A sensação é de um ejoo, quase asco.

O lixo foi seu fim, levando consigo qualquer rastro daquele passado.

A memória é assim. Um baú de surpresas. Ora alegres ora difíceis. Viver é tentar admistrar.