Vocabulário tímido

Como reagir a uma pergunta qualquer?

Sei lá…

Não sei…

E quanda a vida entra em jogo?

— Como vai?

— Normal!

Como assim normal?

— Sem anormalidades.

Estive ausente por aqui e o vocabulário de respostas parte do princípio acima. Para melhor entender, é preciso retornor ao período jornalístico.

[…]

Enquanto a partida para tec tec era o que, quem, quando, como, onde e o porque, um título chamativo, três fontes para calçar as ideias pré-elaboradas… Ops. A frase inicial era a certeza da matéria pronta.

Por agora, o tempo só me faz pensar na frase de um professor daquela passagem.

Não se enfoquem nas cordas da liberdade...

Sem prazos, roteiros ou limites, não me enforquei, embora tenha feito um balanço com as cordas. E no vaivém a espera da inspiração, recostei.

Já de pé por motivações necessárias, tive notícias sobre o meu kid, (como tenho chamado meu rim), e voltei saltitante, com coragem de sobra para escrever qualquer coisa. E foi isso.

Imagem: meu sobrinho Shiro.


Paz, bem e muitos pulinhos no final de semana.

Riscos nas palavras

Ontem foi um dia mudo, tranquilo, a espreita da porta. Nenhuma inspiração nem cobranças, o que é bom.

Prestes a escurecer, surge um desses aromas misteriosos que despertam sensações. Caso pudesse nomeá-lo, seria um cheiro de verão.

Durante o dia, esta foi a escrita, nada verbal. As linhas no lugar das palavras, sumidas, apareciam para ocupar os tempos de pausa.

Sem muito o que esperar, e o medo em tocar nas coisas, as linhas foram descansar. Acordaram, saciaram a própria sede e a falta do que falar.

Grata, madrugada.
Sempre tão verbal,
escutei o que trazia, escrevi e voltei a dormir.

Paz e bem, em traços ou verbos.

*mais uma vez elas aparecem, ontem elas foram fundamentais, as linhas.

*a samambaia apareceu no quintal naturalmente… a sua autonomia inspira.