O eu (des)legítimo


Em minha defesa, tudo que eu sei sobre você.

Prezada,

Não tem sido fácil acompanhar tantos avanços. Desde que você foi desafiada a me deixar, conduta desleal de quem não me conhece, o nosso vínculo ficou mais distante.

Éramos tão felizes! Eu trazia os frutos do meu olhar analítico, vendava os teus olhos e tu obedecias a mim.

Já não é tão fácil como antes. A minha presença, como bem sabes, é para o teu bem. Nada melhor para evitar o fracasso do que paralisar qualquer projeto.

Ou colocar o teu futuro sob as circunstâncias do presente, afinal de contas, quem me garante que consigas qualquer coisa até lá?

Não pense que eu não sei da tua maior conquista, embora tema pelas próximas.

Será capaz de conseguir realizar os teus sonhos com esse tanto de talentos miúdos, dificilmente vendáveis? Por isso questiono a ti nos dias que tens me permitido, apenas para o teu bem.

Acredito no nosso enlace e que ele não chegará ao fim. Peço-lhe que me respondas em respeito ao que tenho dito.

Att,

Meu eu (des)legítimo.


RE: Em minha defesa, tudo que eu sei sobre você.

Prezado,

Não haveria de negar o nosso enlace, embora não tenha sido bom. Chega certo tempo que o conforto da defesa sufoca.

Estava a beira da vida, a reflerir o que achava refletido. Devo dizer que a separação é necessária e vai acontecer a cada dia mais.

Descobri que você diminue quando é exposto. Pode até remexer lá no fundo, mas passa.

Vá embora e não me amole nunca mais!

Att,

Meu eu num crescendo.


Paz, bem e ousadia.

Não quero mais carne

Hambúrguer maluco de beringela com aveia, em resumo. Imagem: Lara Dantas

Não é um relato sobre adesão ao vegetarianismo ou veganismo. Apenas cansei das proteinas animais, sem rótulos.

Em outra oportunidade me autodeclarava vegetariana, com direito a defesa dos animais e revelações sobre a industria alimentícia. Falhei.

Acredito ser diferente agora. A verdade é que carne nunca me fez falta. Minha mãe diz que detestava carne vermelha na infância, justo quando o ganha pão da familia era uma churrascaria.

Parece até irônico.

Então o que posso dizer é que juntou a fantasia criativa com a não vontade de comer.

Digo que agora é definitivo porque há um espaço na minha cabeça só para o que deve ser banido, a moral é quem manda. Pois acho que a carne está pagando aluguel e prestes a fechar contrato neste endereço.

Enquanto isso aprecio a melhor proteína de soja que já comi. Tudo bem, foram poucas… Mesmo assim continuo adorando criar coisas novas todos os dias.

Como é a sua relação com a carne?

Boas-vindas ao risco, sem pautas

Um caderno sem linhas não tem pauta. É livre para riscar o que quiser, sem parecer errado. Assim nasce este diário.

O subtítulo lá em cima não é vaidade. Sempre que ouvir de alguém: Na verdade, complete com: é justo e necessário! Um dia você vai perceber numa missa e não vai parar mais.

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