Transcrito

Certa vez perguntei a uma professora como escrever em folhas brancas sem deixar  despencar as frases, a estranheza veio com a resposta.

Você precisa estar em paz.

Por que cifrar a chave. Como traçar bem assim… Ela só fez reiterar, certa da orientação. E acertou em cheio, sem faltar com o mistério, não só para o papel.

Enquanto penso na próxima linha, recordo de outra educadora, desta vez também psicóloga. A lembrança remonta a primeira aula da disciplina, quando o assunto personalidade se apresentou em forma de caligrafia.

Desta vez nem pensei em dolo. Ela descreveu perfeitamente um colega que apenas viu a rúbrica. O ensaio discreto endereçou ao motivado, que fez questão de alastrar.

Ainda hoje tento desvendar a minha própria letra, sem muito sucesso. Só descobri que gosto de escrever a mão, em folhas livres, sem pautas.

As linhas também comunicam? Da mesma forma me pergunto. Caso fosse um sim, o conteúdo dependeria do ânimo que as riscou.

Imagem: o que diriam as linhas de ontem? Uma concha, talvez um pássaro ou o resultado de uma caneta ou mão falha…


Até logo!

Riscos nas palavras

Ontem foi um dia mudo, tranquilo, a espreita da porta. Nenhuma inspiração nem cobranças, o que é bom.

Prestes a escurecer, surge um desses aromas misteriosos que despertam sensações. Caso pudesse nomeá-lo, seria um cheiro de verão.

Durante o dia, esta foi a escrita, nada verbal. As linhas no lugar das palavras, sumidas, apareciam para ocupar os tempos de pausa.

Sem muito o que esperar, e o medo em tocar nas coisas, as linhas foram descansar. Acordaram, saciaram a própria sede e a falta do que falar.

Grata, madrugada.
Sempre tão verbal,
escutei o que trazia, escrevi e voltei a dormir.

Paz e bem, em traços ou verbos.

*mais uma vez elas aparecem, ontem elas foram fundamentais, as linhas.

*a samambaia apareceu no quintal naturalmente… a sua autonomia inspira.

Boas-vindas ao risco, sem pautas

Um caderno sem linhas não tem pauta. É livre para riscar o que quiser, sem parecer errado. Assim nasce este diário.

O subtítulo lá em cima não é vaidade. Sempre que ouvir de alguém: Na verdade, complete com: é justo e necessário! Um dia você vai perceber numa missa e não vai parar mais.

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