Resistir em silêncio

Cena do filme: O ódio que você semeia (2018). Imagem: reprodução Pinterest.

Um dia olhei numa pilha de livros e tinha uma capa diferente por lá. Passou uns dias e veio a lembrança de um dia ter visto o título em algum canto.

O ódio que você semeia (2017). Comecei a ler, gostei logo de cara. Acabou dias depois. E a sensação foi de quase um atropelo.

O hábito é bom porque agiliza a vida, mas pode abreviar mudanças necessárias. Aqui vai um conselho: Vigiai. Não é uma resenha mas vou contar um pouquinho da história.

A narrativa parte da vida dupla mantida pela protagonista, Starr. Uma jovem de 16 anos norte-americana.

Antes de continuar preciso pontuar o nome do bairro em que ela mora: Garden Heingts, que dá sentido a toda a obra. Angie Thomas, a autora, associa a um jardim no concreto. Um lugar de grandes potencias sob a opressão racial. Sim, Starr e sua comunidade é negra.

Logo na infância ela foi colocada em uma escola privada, com muito esforço dos pais, para amenizar a violência vivida no bairro.

6 anos de frequência na escola, a 40 min de casa, foi o tempo necessário para Starr desenvolver um outro código de conduta, diferente do praticado em casa.

Adeus gírias, olhares, tiradas e olá garota acessível mestre em em segurar a língua e engolir sapos. Tudo para não ser a garota daquele bairro. E o que há de errado nisso?

O problema não é se adaptar para ser entendido. Mas para não transparecer o que não é aceito: uma questão de sobrevivência.

Há alguns dias uma live incluindo Glória Maria virou assunto da vez. A razão? O que foi dito por Glória: “Eu acho tudo isso um saco. Hoje tudo é racismo, preconceito e assédio!”

A polêmica já foi dada. Quem é Glória Maria? Uma jornalista, que cresceu tanto na televisão brasileira que dá para escrever uma enciclopédia só com a trajetória dela.

Os diários de viagem que ela faz? Não tem pra ninguém. E foi assim que a mulher sem idade cresceu em um ambiente que muitos nem sonham.

Não deve ser nada difícil se acostumar com a vida da Glória. Seus planos para o pós-pandemia? Viajar para a Arábia Saudita, Dubai e Taiti.

Lembra da Starr? Ela também passava por situação semelhante. A Starr da escola privada era distante de Garden Heights. Ela só percebeu quando passou por uma tragédia na companhia do seu melhor amigo de infância, esquecido.

Os abaixo-assinados virtuais contra o racismo não eram mais suficientes, Starr precisou gritar.

O livro não traz nenhuma referência a um Estado específico dos Estados Unidos, onde passa a história. Sabe porquê? A autora diz: “Experiências negras são mais universais do que acreditamos ser”. Resultado? O livro ficou semanas como mais vendido na lista do New York Times e até na Alemanha conseguiram situar o ódio que trata Angie, direcionado aos refugiados.

Boas-vindas ao risco, sem pautas

Um caderno sem linhas não tem pauta. É livre para riscar o que quiser, sem parecer errado. Assim nasce este diário.

O subtítulo lá em cima não é vaidade. Sempre que ouvir de alguém: Na verdade, complete com: é justo e necessário! Um dia você vai perceber numa missa e não vai parar mais.

Para mais informações clique na barra Sobre.