Cortesia dos tímidos

Lamento a ausência de um super herói tímido. O seu poder? Congelar as nuances que fugissem ao seu controle. Bastava um pequeno embaraço para acionar o dote nos ânimos e depoentes de cada lance.

O empenho mágico seria capaz de emanciapar os seres à margem do convívio social. Como uma forma de cristalizar as abstrações, um tanto incógnitas, dos tímidos.

Vale salientar a fragilidade do elemento frio. Chega um momento que o gelo derrete e os conflitos reaparecem. O poder então não seria definitivo, mas um respiro para readimição.

Saldando a fantasia, surpreendo-me ao constatar que o poder de fato existe. É só espiar.

Passos rápidos, ombros exaltados e olhar evasivo configuram o paladino austral, aquele que um dia lhe ofereceu um gelo.

Diferente da fantasia, não há como refrear os lances da vida. O restauro em forma de calor irradia bem devagarzinho; a substituir os deslizes pela coragem e sensatez.

A tão sonhada integração pública, em verdade, envolve o juízo dos próprios ribeirinhos, como uma metalinguagem receptiva ao endosso.

De tal forma, o herói restituído regularia a temperatura por onde passasse, pela mérito da própria vida.

Imagem: Tímido osito marinero.


Até logo!

Transcrito

Certa vez perguntei a uma professora como escrever em folhas brancas sem deixar  despencar as frases, a estranheza veio com a resposta.

Você precisa estar em paz.

Por que cifrar a chave. Como traçar bem assim… Ela só fez reiterar, certa da orientação. E acertou em cheio, sem faltar com o mistério, não só para o papel.

Enquanto penso na próxima linha, recordo de outra educadora, desta vez também psicóloga. A lembrança remonta a primeira aula da disciplina, quando o assunto personalidade se apresentou em forma de caligrafia.

Desta vez nem pensei em dolo. Ela descreveu perfeitamente um colega que apenas viu a rúbrica. O ensaio discreto endereçou ao motivado, que fez questão de alastrar.

Ainda hoje tento desvendar a minha própria letra, sem muito sucesso. Só descobri que gosto de escrever a mão, em folhas livres, sem pautas.

As linhas também comunicam? Da mesma forma me pergunto. Caso fosse um sim, o conteúdo dependeria do ânimo que as riscou.

Imagem: o que diriam as linhas de ontem? Uma concha, talvez um pássaro ou o resultado de uma caneta ou mão falha…


Até logo!

Tira e põe

O sentido das palavras muda, ou melhor, varia. Não há como sustar, porque até o sinal de alerta não evita a multa. A cargo dos falantes, espere o valor da bronca.

Das vinte e duas definições de máscara, apenas uma aparece à mente. Aposto não ser a única.

Outrora, o trajeto mais seguro consistia em afluência. Por hora, é melhor trocar a rua e seguir a esmo.

Voltadas ao toque, as mãos hesitam. E quando encostam, levantam suspeita. Na dúvida, o álcool virou propício, água e sabão mais ainda.

Até o normal agora é novo, talvez nem tanto, porque já virou osso.

Atada aos olhos

a venda

recaiu à face,

pouco mais abaixo,

e remeteu o brilho que pertence aos olhos.

Imagem.


Sem perder as esperanças,

até logo!

A tese

Misel acabara de limpar a casa quando chegou a carta. Viu de quem era e olhou ressabiada. A discreta repulsa a exauriu.

Pousou o escrito na mesinha coberta pelo linho mais querido. Sentou-se a beira, numa poltrona ideal para o pousio. Adormeceu por duas horas,  acordou assustada e deu conta das obrigações; partindo ao banho.

Retornou com o frescor da lavanda exalado pelas costas dos ouvidos. À frente do fogão, Misel manipulava o bule com a água quente a compor o chá do que encontrasse primeiro.

Sem se esquecer um instante do que haveria na carta, os motivos da redação, o estado do filho… Misel desatou a pensar.

Não abrirei. Aposto que a dobradura lhe tomou mais atenção do que o  conteúdo, murmurou Misel.

Quem será Lesí? Perguntava-se sempre. Sabia do menino doce e acanhado, tal como a mãe, que saíra sem mais voltar, aos doze anos.

Motivos não lhe falatava para repelí-lo. Embora se perguntasse, como odiaria um filho. O seu desalento atribuía a falta de notícias.

A contar com poucas e breves cartas a anunciar apenas a sua existência, sem um mínimo de vida. As cartas não recebiam respostas porque não havia aonde enderecer. Perdera o filho querido, sem saber como encontrá-lo.

Desde então, Misel enrugou a própria viveza, destinando-a aos móveis. Nada poderia conter o brilho que lhes devia.

Dias depois…

A leitura da carta a tomou em arbítrio. E a fez.

Mãe,
Deixe que eu a leve. 
Penalizo-me ao não entar.  
Não consigo.
Sinto falta do teu carinho. 
Aquele que tens atribuído a vossa casa.
Envergonho-me ao assumir, mas não consigo.
Venha comigo. Dê um sinal.
Seu filho,
Lesí.

Misel precisou assenta-se, as pernas bambas a estremeceu; as mãos trêmulas endossavam o sobressalto.

Segurava a carta ainda sem acreditar. Pela primeira vez, após a partida, o filho demonstrou afeição.

Conter as lágrimas pareceu impraticável para uma mãe solitária. Precisou aguardar por um tempo até restituir as forças e recompor-se.

Seguiu a passos tontos rumo ao banheiro. Lavou rosto, encarando-o através do espelho. O que deverá fazer, perguntava sem perceber a própria fala.

Imagem (editada).

Continua…


‘Ninguém ingressa no mesmo rio duas vezes, porque as águas e o banhista mudam’.

Fui tomada pelo monstrinho da criação, não sei bem como Heráclito rodeava a mente.

O modo de ser das coisas, segundo pensou, basea-se na tenção de forças opostas rumo ao equilíbrio, um constante inconstante.

Aguarde pelo retorno da antítese e síntese.

Até logo!

Um passo por vez

Não penso que esta história seja triste e não me arrependo do rumo que ela tomou. Precisava passar por tudo até o hoje estar em pouso.

[…]

Enquanto buscava um adesivo numa gaveta de casa, encontrei o meu primeiro documento de identificação,  a datar o ano de dois mil e sete.

Nesta época, aos 10 anos, praticava ballet num centro cultural, e adorava todo o imaginário em torno da dança. O cabelo impecável, meias sem rasgos em pernas alongadas a desatar en dehors.

Logo à frente do pousio das piruetas, descobri que a sede inclemente, as inúmeras idas ao banheiro e a leveza dos trinta e dois quilos, ressoavam quatro sílabas e um mundo inteiro de novos arranjos: diabetes, tipo 1.

Os treze anos sopraram como um redomoindo nutrido de rejeições e dessaberes, às voltas com o perigoso carboidrato.

No fundo eu sabia dos descompassos, embora não atingisse o ajuste. Precisei abrir os olhos e enxergar uma nuvem cinzenta a ocultar os rostos a minha frente, para empenhar o devido cuidado.

Entre idas e vindas a uma clínica oftalmológica, o meu nome se tornou familiar a todos, bem como o enlevo a cada consulta.

Ainda este ano retornei para revisão. Por um lado eu pensava ‘consigo enxergar, tudo vai bem!’, por outro, ficou a cargo do ‘e se…’.

Logo que a Dra. D pegou a esfera para visualisar minha retina, senti seu sorriso contido atrás da máscara. Quando ela manifestou a bem aventurança, a euforia tomou conta das suas palavras. Dra.D. chegou a balbuciar ao tentar explicar o caso para a sua assistente.

Mais não parou por aí…

Chegou um momento, no ínterim da jornada anterior, que comecei a sentir inapetência e cansaço em demasia. O diagnóstico veio a passos curtos, sem muito a fazer. A hemodiálise foi o próximo salto.

A Dra. I. foi tão doce ao apresentar o tratamento, fazendo-me crer, em fantasia, na regressão da debilidade por si só.

O começo é um pouco triste. Você perde a autonomia de ir vir e se acostuma com a dor. As pessoas, os profissionais, as histórias e até o lúdico da assistência social suavizaram o ano dois mil e dezenove, sem deixar nódoa.

O tempo passou ainda junto à maquina, e a necessidade do transplante despontou. Fiz os exames e ingressei na fila do Sistema Único de Saúde, o tão precioso sistema público brasileiro. A lista única é dividida por Estado, a levar em conta o tempo de permanência, os riscos do procedimento e a localização de cada paciente.

A surpresa se deu pela compatibilidade sanguinea e disposição de toda a família. O escolhido foi o dileto do meu imaginário humano, o meu irmão. Depois dessa atitude, até hoje não consigo mensurar tamanha graça.

Adiante, vejo a diabetes como aliada, uma partner na dança. Entre saltos, tropeços e piruetas, mirabolamos planos que nos tornam a cada dia mais íntimas do melhor compasso a seguir.


Contar essa história me emociona, embora não guarde máguas ou tristezas. A verdade é que a medida em que vivo, me adapato e vou apurando.

Quando passa, fica apenas a sensação boa do momento presente. Não digo que não houve revolta ou lágrimas, mas me setia abraçada por algo tão maior do que eu, a circundar cada passo na maior sutileza.

Como um frescor a tilintar os sinos da vida, eu o clamo Jesus.

Até logo!

O patrimônio virou arte

Na última segunda-feira, 9, trabalhadores da Prefeitura Municipal de Morro recapearam o patrimônio da rua Valverde, a cratera que divisa a avenida Condessa, no bairro Remo.

Concebida pela tarde, a obra serviu de passagem para a carreata do atual prefeito, durante à noite, do mesmo dia. Zilmara, 32, artista plástica vizinha do trecho, analisou o  resultado, “esse trabalho inspira arte contemporânea. Instantâneo, efêmero e disforme”, ironizou a artista.

Fontes que preferem não se identificar afirmam ter visto um fiscal a averiguar o roteiro, antes do cortejo.

Dona Cecília, 63,  recebeu a novidade sem muita surpresa. “Há vinte anos a mesma coisa acontece, domingo eles esperem a minha sombra!”, advertiu a aposentada.

A Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Morro não respondeu à reportagem sobre a infraestrutura do bairro e a possível relação da obra com evento posterior.

Maria, 38, moradora do rua transversal, ostentou uma bandeirinha de apoio ao prefeito durante a carreata. “Dia 15 já tenho meu candito”, festejou Maria.

*A reportagem apurou que Maria trabalha na Secretaria de Infraestrutura Municipal de Morro, por meio de cargo em comissão.


Enquanto isso, em Fazendinha…

Mateus: Olha isso, cara. Esses políticos do interior serrano são uma fraude mesmo.

João: O que foi?

Mateus: Essa notícia de Morro. Um político que tá no poder há três séculos; manipulando todas as eleições e fazendo o povo de besta.

João: Como assim? Deixa eu ver isso.

Mateus: Te mandei aí no zap. É sobre um prefeito de um municípiozinho; ele concorre todas as eleições que pode e sempre se reelege. E quando não pode, indica um candidato e faz ele de fantoche.

João: Caramba! Mas o que diz essa notícia? Algo sobre uma carreata?

Mateus: É a presepada mais recente dele. Passou asfalto em uma rua esburacada à tarde, pro comício passar à noite. Surreal, né!?

João: Nossa! Como a gente nunca ouviu falar desse peça rara nos jornais?

Mateus: Porque ele controla a imprensa, né! O cara governa como um rei absolutista; compete pau a pau com o Luís XIV.

João: Hahaha! Não exagera!

Mateus: É sério! Ainda bem que aqui em Fazendinha não tem essas coisas!

João: Graças a Deus que a política daqui é limpa!

E assim os garotos sentaram às suas mesas no Órgão Municipal de Nada com Nada. Mal sabiam eles que Emma ouvira todo o diálogo.

Mateus e João estavam começando a ligar os computadores quando ela chegou:

Emma: Bom dia, meninos!

Mateus: Bom dia!

João: Bom dia, flor do dia.

Mateus: Puxa saco! Hahaha.

Emma: Ah se fosse só ele, né!?

Com essa, o Mateus e o João se calaram.

Emma era a chefe dos garotos. E ela sabia das artimanhas que eles tinham aprontado para obter os cargos que ocupam, sendo tão inexperientes.

Emma: Bom dia, Clara.

Clara: Bom dia, chefe.

Emma: Sabe o que acabei de ouvir na sala daqueles dois idiotas? Que em Fazendinha a política é limpa. Até parece!

Clara: Eles não são comissionados?

Emma: Exatamente! Quase que digo isso na cara deles!

Clara: Mas sobre o que eles estavam falando?

Emma: Sobre um político manipulando as eleições para se manter no poder. Dizendo que no nosso Estado não tem esse tipo de coisa.

Clara: Será que eles esqueceram do caso de Vila Bela? Aquele em que a família inteira já passou pela prefeitura?

Emma: Pois é! Hahaha! Ainda tem essa!

Clara: Povo sem noção!

Emma: São pessoas como essas que mantém os idiotas no poder. Nesse fim de semana mesmo vão eleger os palhaços que governarão pelos próximos quatro anos.

Clara: Mas que descrença, mulher! – disse Clara, sorrindo. – Você não sabe das campanhas de voto consciente?

Emma: Quê? Nunca nem ouvi falar!

Clara: É! Muitos jovens e adultos não-políticos decidiram ir às ruas esse ano, procurando conscientizar a população sobre o que devem procurar saber antes de votar em um candidato. Eles têm contas nas redes sociais também. Olha aí, acabei de te enviar.

Emma: Uau! Isso é incrível.

Clara: Sim!! Eles falam sobre ler as propostas dos candidatos, procurar saber quem são, quais seus antecedentes, analisar suas coligações políticas, seu partido e suas ideologias, além de assistir aos debates e ouvi-los falar. Porque a melhor maneira de reconhecer um mentiroso, é ouvindo-o falar, não é mesmo? Hahaha.

Emma: Tomara que as pessoas escolham certo dessa vez! Agora vamos ao trabalho, que as não comissionadas têm que defender seu posto!

Clara: Hahaha! Vamos!

Fim.

Imagem.


Esse post foi uma coprodução com a blogueira Emily Santos, sobre o fazer política nos municípios brasileiros, em breves relatos.

Os dados são fictícios, embora as histórias sejam factíveis. No domingo,15, teremos a chance de mudar essas narrativas cansadas, ao escolher representações conscientes.

Acompanhe o post e o blog da Emily.

Até logo!

A vida das coisas

Durante o alerta inicial de recolhimento, nos refugiamos num campo bem distante. Para acessar, era precisa deter o passe das autoridades locais. Uma aldeia indígena repleta de centenários, ou quase.

Após dois meses em exílio, o refúgio passou a estar nas redondezas da civilização, a 15 km da Princesa do Sertão.

Pelas mãos de mamãe, a terra voltou a enflorar, os passarinhos a arrevoar, a coruja a visitar as noites e até um galo, apelidado de marreco, decidiu morar por lá.

Entre idas e vindas de deveres pelas pistas de rally, em período chuvoso, a necessidade de retorno ao centro elevou ao dobro.

O regresso cheirava a abandono, o clima de lugar estranho. Bastou um pouco mais de empenho para o lugar urbano dar morada ao recanto.

E na house que um dia foi home, a formiga virou amo, o matagal soberano e até mesmo o marreco, ciscou e deu meia volta.


A imagem traz um pedacinho do segundo refúgio. Até logo!

Um pedido


Não descole de mim


Prezada,

Não tenho gostado dos teus sorrisos de coisas que nem sei. Esse outrém só fez e fará mal a nós.

Peço que não se engane! Nada muda enquanto as feridas não se curarem. A pólvora continuará em uso, aonde houver o que roubar.

Não é pessimismo, apenas uma maneira de alertá-la. Nada ia bem desde o ocorrido em dois mil e dezesseis, a pandemia só tem dilacerado mais.

Há dias partes de mim não tem energia, enquanto outras, a cada dia mais, passam fome.

Nem queira imaginar como é ser maltratado diariamente…

Os meus cabelos brancos não impõem mais respeito, os benefícios dos meus membros continuam congelados, sem reajustes.

Estou cansado, mas não desisto.

Aguardo a sua atitude, devo dizer que ainda tenho jeito!

Att,

Pátria maltratada, Brasil.

Vocabulário tímido

Como reagir a uma pergunta qualquer?

Sei lá…

Não sei…

E quanda a vida entra em jogo?

— Como vai?

— Normal!

Como assim normal?

— Sem anormalidades.

Estive ausente por aqui e o vocabulário de respostas parte do princípio acima. Para melhor entender, é preciso retornor ao período jornalístico.

[…]

Enquanto a partida para tec tec era o que, quem, quando, como, onde e o porque, um título chamativo, três fontes para calçar as ideias pré-elaboradas… Ops. A frase inicial era a certeza da matéria pronta.

Por agora, o tempo só me faz pensar na frase de um professor daquela passagem.

Não se enfoquem nas cordas da liberdade...

Sem prazos, roteiros ou limites, não me enforquei, embora tenha feito um balanço com as cordas. E no vaivém a espera da inspiração, recostei.

Já de pé por motivações necessárias, tive notícias sobre o meu kid, (como tenho chamado meu rim), e voltei saltitante, com coragem de sobra para escrever qualquer coisa. E foi isso.

Imagem: meu sobrinho Shiro.


Paz, bem e muitos pulinhos no final de semana.

Hora do chafé

Existem tantas coisas que sabemos, embora muitas vezes não consigamos colocar em prática. Fica a dúvida aonde o sei se encontra com o faço.

Digo isso depois de perceber que dormir é como morrer por algum tempo.

De tanto pensar na verdadeira cor das zebras, as pálpebras perdem as forças  e a consciência vai sumindo até flanar.

No meio tempo, a Terra continua a girar, o tempo a passar, até despertar para o mundo com o pronome meu, predisposto.

Mesmo assim, as zebras ainda preocupam.

Enquanto não há quem alcance a sublime proeza do equilíbrio, fiquemos no mundo das ideias.

A fé como água…

Ela compõe onde é colocada, ganha cores, texturas e aromas diferentes.

Evapora, caso esquecida no tempo. Congela, a depender da passagem. Ebule sob calor intenso, enquanto em falta, nunca sacia.

Na natureza, selvagem ou não, segue rumos e destinos sem fim, traz vida aonde passa e reage caso não preservada.

O acesso fica a critério. Direto ou mediado, também, a depender do cenário.

Uma forma tende a parecer mais vantajosa, prática, pura ou límpida do que a outra. Com respeito, a nascente vive em cada um.

Repleto de água, o corpo é quem diz o uso que faz.

Imagem. Santa Rita do tempo em que a vovó era neta.


Paz e bem em abundância.