Direto da gaveta

Escrevi o texto a seguir sob ânimo da polêmica definição em um site de buscas sobre “o que é ser baiano”. A repercussão foi tanta à época, pelo estado, que o conceito anterior foi readequado por tantos outros.

Como ainda faz sentido, mesmo passado o tempo, coloco a minha contribuição por aqui e sugiro a cada um escrever sobre a própria percepção de onde vivem.

O que é ser baiano?

7 de fevereiro de 2021

O que impõem sobre a nossa gente não compõe aquilo que somos, se é que é possível expressar o que é ser baiano.

A gente tenta jogar dama com as palavras e definir de um jeito que até sucede, mas a linguagem Bahia escapa a cada divisa. O segredo mesmo é ir em busca da Bahia que lhe couber a vivência, assim que a possibilidade existir.  

A respeito dos detalhes me asseguro pela língua das ruas. Tão logo, sinto expor que oxente é para lá de atípico. Em lugar disso o que não falta é o xingamento na essência dos costumes, sem deixar de lado – é bom salientar – os hábitos brasileiros.

Dos quais o mais interessante é disgraça — com /i/ mesmo —  um espetáculo que, geralmente, sucede o /ê/t/á/ e que expressa glória ou descontentamento com  a emoção da exclamação (!).

Além da especial atenção as vogais e semi-vogais.: Pela troca do /o/ ao final das palavras pelo /u/, ou seja, por aqui se diz: orgulhosu e não orgulhoso, enquanto o /e/ é vocalizado como /i/. Por outro lado, o /a/ é bem dito através da fruta  /b/ã/n/ã/n/a/.

Outro detalhe que não escapa ao observador é a materno-paternidade no seio das relações, com  destaque para a figura materna; seja pelo tratamento imperativo ao tom das queixas dos filhos: “se eu fizer isso minha mãe me mata!, ora pela influência latente no modo de ser e agir baseado no que se viveu em casa. 

Enfim, o ser por aqui vai além de um tela com frases repletas de manias e hábitos baianos, pois, para cada observador existirá uma Bahia diferente.

Imagem: Forte de São Marcelo, Salvador (Ba) — fotografia emprestada do meu irmão.


No fim das contas cada lugar sente o prejuízo da sub-representacão, uns mais outros menos, contar sobre eles é uma forma de expandir um pouco mais os nossos olhares. Até logo!

6 comentários

  1. Se eu tivesse que descrever o que é ser paranaense nem conseguiria, já que me mudei tantas vezes nos últimos anos. Ainda tem gente que acha que sou gaúcho (meu sotaque hoje é 60% gaúcho e 40% paranaense, mas esta porcentagem é inversamente proporcional ao tempo em que continuo residindo em minha terra natal!). Ao menos por enquanto.

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  2. Eu vivi um ano no interior da Bahia, mas eu tinha pouco menos de 3 anos e não lembro nada. Nem olhando para as duas ou três que tenho desta época. Retornei à Bahia cerce de 30 anos depois e gostei imenso. Eu acho o baiano nem nordestino, nem sulista. Está à parte.
    Vi o novo layout no nome do Blog. 🙂

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  3. Sabe que eu também tenho essa impressão e ainda acrescento que a cada cidade é um mundo novo cheio de particularidades prontinhas para a apreciação ☀️

    Com relação ao título, mudei assim que pude! Obrigada pela sugestão:) Ótima semana! 🌼

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  4. Parece até aquela expressão: ‘tão distante, mesmo assim tão perto’, o lado bom disso é contar com a experiência de cada canto e voltar com novo olhar sobre a sua terra.
    Ótima semana!

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