Pranto às avessas

Se um narrador espreitasse a minha vida pelos últimos tempos, provalmente desistiria de contar qualquer estória. Sem saber por onde começar e o que narrar, sentaria no sofá com a vassoura na mão sem esperança de cessar a poeira que deixei por aqui acumular.

Já que o narrador não conseguiria, deixa comigo…

Além do tempo esquisito que tira as forças de um amanhã mais seguro, um mal estar súbito — olá, diabetes — que já mandei para longe; escrever pelos últimos tempos pareceu ilegítimo. Como se tudo que aparecesse em linha fosse uma mentira, por mais verdadeiro que fosse.

As vezes acredito que as palavras tem vida própria e elas precisam encontrar legitimidade em quem ousa criar sentidos por meio delas, haja vista que não me furtei em tentativas. E esta abertura logo foi ocupada pelas minhas atividades paralelas.

De todo ainda resisto com ideias positivas, viagens imaginárias a beleza celeste — afinal, o céu é uma fluída obra de arte — e a tudo que tem imagem; além da escuta às frases avulsas que entram aos ouvidos e abstraem quando o real é incrível.

A minha última lembrança disso foi quando observei uma reação a fotografia de uma casa colorida, ao estilo beira de estrada, pela via do comentário emitido: “parece obra de criança”.

Por quê?, me perguntei. As conclusões a que cheguei atravessam as ofensas a genuína experimentação da infância e o menosprezo sutil as cores, e porque não a todas as coisas, que vibram um pouco mais de opinião…

Sobre o título desta postagem — pranto às avessas —, encontrei numa passagem de uma leitura e entendo como uma espécie de definição para a expressão: “rir para não chorar”. O pode parecer cínico, mas não é a intenção que atribuo. Pelo contrário, seria algo assim:

Chore, se for preciso, mas não se esqueça, sendo a morte uma certeza, viver é a maior prova de que a nossa estada terrena é querida e, por isso, já motiva um sorriso.

Já aquelas pessoas que fazem da própria vida um meio de perpetuar o apocalipse, a quem pareça desagradar, isso é papo para outra estória…

Imagem 01 e 02: travessuras que surgiram após a descoberta da função desenho no bloco de anotações.


Posso fazer uma perguntinha?
🌼 E você, o que tem feito para abstrair do caos que nos rodeia?

Até logo!

9 comentários

  1. Já estava sentindo falta dos seus post. Vim até aqui ver se por engano tinha pulado algum post.
    Eu tenho aproveitado para estudar muitas coisas, pensar, observar, brincar com sabores na cozinha,… Não está fácil. Pergunto-me se há alguém verdadeiramente bem no meio desse caos mundial.

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  2. Os seus afagos por aqui me dão mais coragem de me expressar, obrigada!
    Sabe que em função das minhas limitações alimentares eu aprendi a me virar com as panelas entre folhas, legumes e verduras, é realmente uma terapia. Estudar é outra terapia que nunca deveríamos deixar para trás, como é bom aprender, né! Ultimamente tenho me deleitado nos estudos sobre roteiro de tv e cinema (é uma viagem massa!).
    Obrigada pela visita ;)🌼

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  3. Estou escrevendo bastante.. Lutando com minhas leituras, estudando muito e praticando muita atividade física. Ahh e claro, muito otimista e esperançoso, é só o que posso dizer agora!

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  4. Faz muitíssimo bem, Juliano! Ocupar o dia a dia em otimismo e desafios pé no chão nos guiam certamente para o bem. Estou nesta tentativa também.
    Grata pela visita 🌼

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  5. Ahhh🤗 obrigada Nicole!
    Foi de coração mesmo, e devo dizer que as atividades que você tem feito floreiam a sua luz.
    Obrigada pela visita 🌼 e quando eu tomar vergonha na cara e começar a fazer yoga eu te conto! rs

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  6. Bem, minhas últimas atividades para abstrair do caos têm sido ler, escrever, orar, caminhar e cuidar de plantas. Mas essas apenas se encaixam na minha louca rotina de mãe, esposa, estudante e dona de casa que já não tem muito tempo para pensar em tudo isso. Ainda bem! Se não fosse assim, certamente enlouqueceria. Belo blog!

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  7. A forma que colocou, Juliana, sobre o encaixe diz tanto! Por isso, é admirável o esforço que aplica para coordenação das suas jornadas. Obrigada pela visita! toda a paz a você e sua família🌼

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