Cortesia dos tímidos

Lamento a ausência de um super herói tímido. O seu poder? Congelar as nuances que fugissem ao seu controle. Bastava um pequeno embaraço para acionar o dote nos ânimos e depoentes de cada lance.

O empenho mágico seria capaz de emanciapar os seres à margem do convívio social. Como uma forma de cristalizar as abstrações, um tanto incógnitas, dos tímidos.

Vale salientar a fragilidade do elemento frio. Chega um momento que o gelo derrete e os conflitos reaparecem. O poder então não seria definitivo, mas um respiro para readimição.

Saldando a fantasia, surpreendo-me ao constatar que o poder de fato existe. É só espiar.

Passos rápidos, ombros exaltados e olhar evasivo configuram o paladino austral, aquele que um dia lhe ofereceu um gelo.

Diferente da fantasia, não há como refrear os lances da vida. O restauro em forma de calor irradia bem devagarzinho; a substituir os deslizes pela coragem e sensatez.

A tão sonhada integração pública, em verdade, envolve o juízo dos próprios ribeirinhos, como uma metalinguagem receptiva ao endosso.

De tal forma, o herói restituído regularia a temperatura por onde passasse, pela mérito da própria vida.

Imagem: Tímido osito marinero.


Até logo!

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