Riscos nas palavras

Ontem foi um dia mudo, tranquilo, a espreita da porta. Nenhuma inspiração nem cobranças, o que é bom.

Prestes a escurecer, surge um desses aromas misteriosos que despertam sensações. Caso pudesse nomeá-lo, seria um cheiro de verão.

Durante o dia, esta foi a escrita, nada verbal. As linhas no lugar das palavras, sumidas, apareciam para ocupar os tempos de pausa.

Sem muito o que esperar, e o medo em tocar nas coisas, as linhas foram descansar. Acordaram, saciaram a própria sede e a falta do que falar.

Grata, madrugada.
Sempre tão verbal,
escutei o que trazia, escrevi e voltei a dormir.

Paz e bem, em traços ou verbos.

*mais uma vez elas aparecem, ontem elas foram fundamentais, as linhas.

*a samambaia apareceu no quintal naturalmente… a sua autonomia inspira.

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